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Proteção de crianças e adolescentes: “Todo mundo tem responsabilidade”, afirma Viviana Santiago, gerente de Gênero e Incidência Política da Plan International Brasil

 

Nesta quarta-feira (20), o Webinar PVE recebeu Viviana Santiago, gerente de Gênero e Incidência Política da Plan International Brasil, que falou abordou a questão da violência contra crianças e adolescentes – especialmente meninas – no contexto da pandemia e no geral.

 

– Durante a pandemia, as crianças seguem sendo crianças, os adolescentes seguem adolescentes, e a violência segue acontecendo – adverte Viviana.

 

E contextualiza que, durante este período de isolamento em virtude da pandemia, as crianças e adolescentes vítimas de violência perdem o contato com pessoas que possam identificar esta situação e dar encaminhamento à questão, como é o caso da escola.

 

– O peixe só estranha a água quando está fora dela. O mesmo ocorre com as crianças, que precisam dessa perspectiva externa – da escola – para perceber que tem algo estranho em casa – exemplifica Vivina, ao salientar a importância de ensinar as crianças pequenas a nomear as partes do corpo, para que possam indicar se tem alguém tocando ela em lugares impróprios.

 

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Mas a escola não é a única responsável pela proteção das crianças, quando estas são vítimas de violência em casa. Citando uma ciranda cujos versos são “Essa ciranda não é só minha/ É de todos nós (…) Pra se dançar ciranda/ Juntamos mão com mão/ Fazendo uma roda/ Cantando essa canção”, Viviana enfatiza a importância de que a segurança das crianças é um dever da sociedade como um todo.

 

– É como se tivéssemos uma torta de responsabilidade, e cada um tem seu pedaço de responsabilidade, as secretarias, as escolas e sociedade – afirma Viviana ao ressaltar que, mesmo no ambiente escolar, todas as pessoas que trabalham na escola educam, e por isso precisam se manter atentas.

 

E para auxiliar na tomada de responsabilidade deste cuidado, Viviana apresentou quatro pilares de atuação da Plan International Brasil, que auxiliam na reflexão e nos cuidados que devemos ter, especialmente em relação às meninas, que “enfrentam desafios adicionais por serem meninas”, afirma.

 

1. Aprender – direito de aprender, aprendizagens para vida e aprendizagens em um ambiente que fomente desenvolvimento potencial de meninos e meninas. E que, a partir deste processo, ocorra o processo de construção destes sujeitos e participação ativa nesse conhecimento mesmos

2. Decidir – relacionado ao processo de prevenção, para que as meninas e meninos sejam capazes de tomar decisões naquilo que impacta a sua vida como, por exemplo, quantos filhos deseja ter, ou que possam evitar o casamento infantil.

3. Progredir – ter o direito de crescer livre de violência – especialmente na primeira infância – desenvolvendo competências para a autoproteção.

4. Liderar – construção de liderança, numa perspectiva de meninas, para que meninas e meninos juntos atuem na construção de um mundo melhor.

 

Quanto ao último tópico, Viviana provoca:

– Um mundo melhor para as meninas é um mundo melhor apenas para as meninas?

 

Para ilustrar, ela exemplifica uma situação corriqueira em Recife, onde anoitece mais cedo, e muitas estudantes se veem obrigadas a sair mais cedo da aula, perdendo conteúdos, porque a iluminação pública é precária e o retorno para casa se torna mais perigoso quando escuro.

 

– Se melhorassem a iluminação pública das ruas, as meninas se sentiriam mais seguras para voltar para casa ao fim do turno escolar; mas a iluminação seria só para elas? Não, seria para todo mundo – completa Viviana.

 

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Outro ponto importante apontado foi a relativização em relação à violência.

– Precisamos abandonar a lógica do “Pelo menos” (A criança está trabalhando em uma obra, mas pelo menos está comendo), e substituir por “Pelo máximo”, na plenitude dos seus direitos – aponta Viviana que afirma – relativizar a violência significa naturalizar isso.

 

E finaliza:
– Ao não reconhecer crianças e adolescentes como seres em desenvolvimento fundamenta a violência.

 

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Materiais deste webinar:

— Assista à videoconferência completa: clique aqui

— Confira o guia “Resposta à pandemia – atendendo as necessidades da população sem deixar ninguém para trás”, produzido pela Plan International Brasil, e citado durante a conferência: clique aqui

 

O PVE continua promovendo webinars abertos ao público para ajudar gestores durante a pandemia de Covid-19. Na quinta-feira (21), Carlos Sanches recebe os secretários de Educação de Almirante Tamandaré e Caçu, para falar sobre os municípios estão reorganizando suas redes de ensino. Acompanhe, ao vivo, a partir das 10h.  Inscreva-se neste webinar e confira a programação da semana aqui.